Publicado em 2026-03-17
Esqueça as noções românticas do fantasma de Messi assombrando o Camp Nou. Esqueça as despedidas cheias de lágrimas e a preocupação com um vazio insubstituível. O Barcelona, sem Lionel Messi, não está apenas sobrevivendo; está prosperando, renascendo e, ouso dizer, é um time de futebol mais completo, equilibrado e, francamente, melhor do que era em seus últimos anos, muitas vezes frustrantes.
Os números não mentem. Na temporada passada, o time de Xavi conquistou a La Liga com impressionantes 88 pontos, sofrendo apenas 20 gols em 38 jogos. Esse é um recorde defensivo que não se via no clube há décadas, muito diferente das defesas vazadas e muitas vezes expostas que caracterizaram o final da era Messi. Eles também mantiveram 26 jogos sem sofrer gols, um recorde do clube em uma única temporada da La Liga. Isso não é apenas uma melhoria; é uma mudança fundamental de identidade.
Por muito tempo, o plano tático do Barcelona era simples: dar a bola para Messi e rezar. Era uma estratégia nascida do gênio, mas que, em última análise, era uma muleta. Os adversários sabiam disso, e quando Messi não estava tendo uma de suas noites sobre-humanas, o sistema muitas vezes rangia e gemia. A dependência da genialidade individual mascarava fraquezas sistêmicas, particularmente no meio-campo e na defesa.
Xavi, um homem que entende o DNA do clube melhor do que ninguém, removeu cirurgicamente essa muleta. Ele incutiu um ethos coletivo, um compromisso com a solidez defensiva e a pressão implacável que estava visivelmente ausente. Ronald Araujo floresceu e se tornou um dos principais zagueiros do mundo, um verdadeiro líder defensivo. Andreas Christensen, muitas vezes esquecido, tem sido uma revelação, trazendo calma e inteligência para a linha de defesa.
O meio-campo, antes uma sombra de si mesmo, está vibrante novamente. Frenkie de Jong, finalmente livre da pressão de ser "o próximo Busquets", está ditando o jogo com autoridade. Pedri e Gavi, ainda ridiculamente jovens, incorporam a energia implacável e a destreza técnica que definem o Barcelona moderno. Eles correm, pressionam, criam e, crucialmente, não esperam que um homem conjure a magia.
No ataque, os gols são distribuídos. Robert Lewandowski, apesar de uma ligeira queda de forma no final da temporada passada, ainda marcou 23 gols na La Liga, mostrando seus instintos predatórios. Mas é o surgimento de jogadores como Raphinha, Ousmane Dembélé (antes de sua saída) e agora o prodigioso Lamine Yamal que realmente destaca a mudança. Não há um único ponto focal; em vez disso, há movimento, fluidez e uma responsabilidade compartilhada de atacar.
O elenco atual parece mais um time, menos uma coleção de indivíduos talentosos orbitando uma supernova. Eles são mais difíceis de vencer, mais disciplinados taticamente e possuem uma garra que muitas vezes faltava quando o peso da expectativa recaía apenas sobre os ombros de Messi. A força mental para conseguir resultados, para defender com determinação sob pressão, é um testemunho da influência de Xavi e da maturidade coletiva deste grupo.
Previsão Ousada: O Barcelona não só manterá a La Liga nesta temporada, mas também chegará às semifinais da Liga dos Campeões, provando definitivamente que, pós-Messi, eles são uma força europeia mais equilibrada, resiliente e, em última análise, mais formidável.